SOS QUÍMICA - O SITE DO PROFESSOR SAUL SANTANA.
Curiosidades: Radiação ![]()
Os efeitos e a própria radiação só começaram a ser estudados profundamente depois da invenção das armas
nucleares. Devido as grandes quantidades de radiação produzidas por estas
armas, de poder descomunal, as super-potências se
preocuparam em conhecer melhor seus efeitos sobre os seres vivos e
principalmente sobre o homem (soldado ou civil), para se proteger, assim como
para melhorar suas armas.
Mais tarde
descobriram-se utilidades construtivas para a radiação, como, por exemplo, sua
utilização médica como uma forma de combate a vários tipos de cancêr (radio-terapia) e os Raios
X. Entretanto a radiação continua sendo temida por acidentes como os ocorridos
em Goiânia (Brasil) e Chernobil (Ucrânia, ex -URSS).
Tipos de Radiação e suas Características:
Antes de tudo, dividi-se a radiação em duas classes básicas: I)
Radiação não Ionizante e II) Radiação Ionizante.
A radiação NÃO ionizante
possue energia insuficiente para ionizar (retirar
elétrons) átomos ou moléculas. Ela é muito comum e não apresenta grandes
riscos a saúde (apesar de não haver ainda estudos mais claros). São exemplos
deste tipo de radiação a própia luz, as ondas das
emissoras de rádio e várias outras.
Muito mais energética que o tipo anterior, a
radiação ionizante possui a capacidade de arrancar
elétrons de átomos e moléculas e assim alterar reações químicas, inclusive
aquelas reações que ocorrem dentro das células do seres vivos e são
fundamentais à vida. Felizmente esta é bem mais incomum do que primeira: uma
pequena quantidade vem do espaço e outra de alguns mineiras
presentes em certos tipos de rochas e solos. Os riscos ficam por conta de
métodos artificiais como as bombas e usinas atômicas.
Nosso interesse está sobre o último, e mais
perigoso, tipo de radiação. Analisaremos a seguir algumas características
fundamentais da radiação ionizante como:
Há vários tipos de radiação ionizante, cada um com suas características próprias,
vejamos na tabela a seguir as cinco principais:
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Figura |
Nome |
Tipo |
Características |
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Raios X |
Ondas Eletromagnéticas (tipo Luz) |
Possui uma capacidade de penetração
média podendo passar por portas e paredes mais finas. O nível de
periculosidade para o ser humano também é médio estando baseado no risco de
câncer a longo prazo |
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Raios Gama |
Ondas Eletromagnéticas (tipo Luz) |
A diferença com o
raios x está na sua freqüência, que é maior (assim como a freqüência
da luz azul é maior que a da vermelha) isto faz dela mais energética. Também
é mais penetrante que os raios x e produz danos bem maiores aos seres vivos |
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Partículas Beta |
Elétron Rápido |
Penetração mínima, mal consegue
atravessar uma folha de papel. Como não consegue ultrapassar a pele humana
este tipo de radiação provoca apenas irritação ou queimadura leves e
superficiais. Pouco energética. |
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Patículas Alpha |
Núcleo de Hélio |
As partículas alpha
possuem uma penetração mínima, mas possuem grande quatidade
de energia, provocando muitas ionizações, podem produzir também outros tipos
menos energéticos de radiação. |
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Nêutrons |
Nêutron |
Como os nêutrons não possuem carga
elétrica, eles tem um alto poder de penetração,
podendo atravessar até espessas paredes de concreto. Seus danos as células vivas são muito grandes, devido sua alta
energia. |
Fontes de Radiação:
Há várias fontes de radiação ionizante, algumas naturais e outras artificiais. As fontes
naturais produzem em geral pequenas quantidades que só representam riscos em
longas escalas de tempo. Já o meios artificiais podem
produzir dozes extremamente elevadas e em pequenos intervalos de tempo.
Para compreender as fontes de radiação, é útil
saber como ela é gerada, e esta varia de acordo com o tipo de radiação em
questão:
Vejamos agora a diferença entre radiação e
material radioativo:
Radiação é o nome das ondas eletromagnéticas e
partículas que citamos acima, são elas que causam danos, ou
"envenenam" os seres vivos.
Material radioativo é uma substância química que naturalmente produz radiação (da
forma que veremos a seguir), NÃO são elas o "veneno"
mas sim a radiação que emitem, ao contrário por exemplo da estricnina
que, apesar de não ser um material radiotivo, é um
veneno no sentido normal da palavra. Todo o material que conter substâncias
radioativas também é, portanto, uma fonte de radiação.
Uma substância é radioativa quando contem
átomos instáveis. Átomos instáveis são aqueles que possuem um desbalanço ou desequilíbrio em seu núcleo (constituído,
como se sabe, por nêutrons e prótons). Este desquilíbrio,
depois de um determinado período de tempo, provoca a ruptura do núcleo e parte
o átomo em dois.
A ruptura do núcleo libera uma grande
quantidade de energia e fragmentos que constituem a radiação. A figura
<<>> mostra um átomo instável (fictício), depois de um determinado
tempo o núcleo se despedaça formando dois novos átomos (com núcleos mais
estáveis) e produzindo os tipos de radiação que vimos.
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Figura
<<>>: Um
átomo instável (esquerda) tem seu núcleo 'quebrado' naturalmente após um
certo intervalo de tempo. A ruptura do núcleo produz radiação (direita), este
é um material radiotivo. Figura Fictícia. |
Há cerca de 1500 elementos químicos que possuem
estas características, como o Plutônio, o Iodine e o
Estrôncio, entre outros. Eles se diferenciam pelo tempo médio que o núcleo demora para se romper e pela radiação emitida.
Em relação ao tempo em geral faz-se referência
ao tempo de meia vida, que pode variar de minutos a séculos.
Tempo de meia vida de um átomo com núcleo
instável é o tempo que leva para que metade dos átomos de uma
amostra decaíam (tenham seu núcleo rompido da forma que vimos
anteriormente).
Por exemplo, o césio 137 (acidente de goiânia) é uma material radioativo cujo o
tempo de meia vida é 30 anos. Desta meneira se você
tiver uma amostra de 100 átomos de césio, daqui a trinta anos, metade deles vão
ter tido seu núcleo rompido, restando apenas 50. Se você esperar mais trintas
anos, dos cinquenta átomos que haviam restado,
novamente a metade decairá e você ficará (após 60 anos do início com 100) com
25 átomos de césio 137, os outros se quebraram e emitiram radiação.
Elementos com tempo de meia vida pequena emitem
uma grande quantidade de radiação no começo, mas logo ela se torna muito
pequena. Elementos com grandes tempos de meia vida emitem relativamente menos
radiação, só que podem continuar emitindo quantidades perigosas por séculos.
Este é o problema com o lixo atômico!
Embasados no que já aprendemos podemos enumerar
as principais fontes, naturais e artificiais, de radiação.
A radiação e os seres vivos:
A radiação ionizante
possui a capacidade de causar sérios danos aos organismos vivos, inclusive a
morte. Também foi comprovado que a exposição à radiação aumenta a probabilidade
do aparecimento de vários tipos de câncer. Os danos causados possuem uma série
de características próprias e os sintomas podem ser terríveis!
Como dissemos anteriormente, o processo
prejudicial é a quebra ou ionização de moléculas das células. Estas moléculas
atingidas param de realizar suas funções vitais e, além disto, seus pedaços
podem atuar como um veneno (radicais livres).
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Figura <<>>: Raio gama penetrando em uma célula e
atingindo um molécula. |
Figura <<>>: Molécula quebrada devido a ação do raio gama. Tanto a quebra da molécula quanto os
seus pedaços são prejudiciais à célula. |
Apesar da maior parte da radiação poder quebrar
qualquer molécula em uma célula, seu maior mal é quando atinge e parte seu
DNA (ácido desoxirribonucleico). Esta é uma molécula
muito longa que se encontra no núcleo celular e é responsável por carregar
nossas carecterísticas genéticas, o que significa que
ele controla todas as reações químicas de nosso organismo.
Uma célula com seu DNA
quebrado não pode exercer suas funções normais, mas ela tem a capacidade
de sozinha, corrigir algumas quebras. Esta correção, ou remontagem, porém
necessita de tempo e podem ocorrem erros (gerando um cancêr
ou a morte da célula). A complicação está nas células que se reproduzem muito
rapidamente:
Quando uma célula está reproduzindo-se,
ela precisa duplicar seu DNA para que cada célula filha possua o seu próprio. O
problema é que se o DNA é quebrado durante ou pouco antes desta etapa, a célula
não consegue remontá-lo a tempo. Consequentemente as
células filhas morrem. Assim temos uma das principais características da
radiação: quanto mais rapidamente um tipo de célula se reproduz, maiores são os
danos causados pela radiação.
Vejamos a seguir uma tabela com alguns tipos de
tecidos humanos e os efeitos da radiação sobre eles:
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Figura |
Tecido |
Divisão
Celular |
Efeitos da radiação |
|
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Hematopoiético |
Muito Rápida |
Este é o principal tecido afetado pela
radiação e a principal causa morte. Encontra-se na medula óssea e nos glâglios linfáticos. O tecido hemotopoiético
é responsável pela produção das células presentes no sangue: hemácias (que transportam oxigênio até as
células); glóbulos brancos (defendem o organismo contra infecções) e plaquetas (promovem o estancamento de
sangramentos). |
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|
Gônodas Genitais |
Bastante Rápida |
A produção de espermatozóides e óvulos tambem requer uma divisão constante das células. Desta
forma um dos sintomas da exposição à radiação é a esterilidade, temporária ou
irreversível. |
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Revestimento Gastro
Intestinal |
Rápida |
Localizadas nas paredes do sistema
digestivo, estas céluals tem que ser repostas com
freqüência. O terceiro tecido mais afetado pela radiação, causando sintomas
de nâuseas a hemorragias. |
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Folículos Pilosos |
Rápida |
São as bases produtoras dos pêlos. Sua
destruição por parte da radiação causa um dos sintomas mais conhecidos: a epilação ou perda dos pêlos. |
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Sistema Nervoso |
Praticamente Nenhuma |
O sitema
nervoso quase não sofre replicação na fase adulta. Assim os efeitos da
radiação sobre ele são mínimos. Qualquer dose capaz de prejudicar este
sistema é mais do que suficiente para causar a morte pelos danos causados aos
outros tecidos. |
Devemos observar também que a taxa de
reprodução celular varia, diminuido com a idade.
Desta forma os velhos são menos afetados que as crianças. Infelizmente, os fetos, com uma altíssima taxa de reprodução celular
sentem mais profundamente os efeitos da exposição à radiação.
Ao contrário da maioria das enfermidades, os
sintomas da radiação possuem um período de latência, no qual a pessoa
sente-se relativamente bem. Em seguida a este período de latência vem os
sintomas mais graves e que podem causar a morte. Desta forma temos três
períodos distintos, sendo que os tempos em que ocorrem dependem da dosagem.
Para analisar corretamente os sintomas devido a dosagem de radiação devemos aprender primeiro como se mede a radiação.
Unidades de medida para a radiação ionizante:
Há várias unidades para medir a radiação, vejamos algumas delas:
Antes
de analisar os sintomas de cada dosagem de radiação, é importante observar um
valor limite de dosagem bem definido. Este limite é quase como um precipício;
dosagens menores que ele dificilmente provocam morte no primeiro ano, para
dosagem pouco maiores, as chances de ocorrer morte aumentam incrivelmente. Este
limite está em torno de 350 Rems.
Vamos agora os efeitos
das diversas dosagens sobre os seres humanos:
______________
Efeitos da radiação em
seres humanos:
______________
Os sintomas, assim como sua
intensidade, variam de acordo com a dosagem e com o período em que esta
dosagem é recebida. Uma exposição de corpo inteiro a 400 rems
pode matar uma pessoa se for recebida toda de uma vez, espalhando essa dosagem
por um ano a pessoa poderá não sentir nenhum sintoma.
A seguir mostramos os sintomas e efeitos
causados por uma dosagem de corpo inteiro e imediata:
0 a 100 rems:
Sem sintomas
notáveis. Esterilidade masculina temporária (50%). Atrofia do glâglios linfáticos. Diminuição na contagem das células
sangüíneas. A mortalidade é nula e o período de recuperação dura
semanas.
100 a 200 rems:
Primeiros
sintomas: ocorrem de 3-6 hor. a
1 dia após exposição. São eles: náuseas (50% dos casos) e vômitos.
Fase final: De
10-14 dias até 4 semanas após exposição. Ocorre a perda de apetite e
esterilidade masculina temporária (100%). Mortalidade ocorre em 1% dos casos e
a recuperação varia de um a vários meses.
Organismo: Danos
consideráveis ao tecido hematopoiético.
200 a 400 rems:
Primeiros sitomas: De 1-6 hor. a 1-2 dias
após exposição. Náuseas (100%) e Vômitos.
Fase final: De
7-14 dias até 1 mês após exposição. Epilação (50%).
Hemorragia subcutânea, na boca e nos rins (50%). Esterelidade
feminina permanente (25%). Risco de infecções. Mortalidade em torno de 10% e
recuperação em vários meses.
Organismo:
Intensa supressão das células brancas. Danos graves ao tecido hematopoiético. Tecidos gastrointestinal
e folículos capilares são afetados.
400 a 600 rems:
Primeiros
Sintomas: De 30min-2 hor. a 1-2 dias após exposição.
Sintomas anteriores agravados e generalizados (100%)
Fase Final: De
7-14 dias até 1 mês após exposição. Sintomas anteriores agravados e
generalizados (100%). A morte ocorre usualmente entre 2 a 12 semanas devido a hemorragia generalida e
infecções. Medula óssea é parcialmente destruída, assim como outros tecidos hematopoiéticos. Mortalidade atinge 90% dos casos e a
recuperação dura um ano ou mais.
Oraganismo:
Tecido gastrointestinal e folículos pilosos sofrem
danos consideráveis.
600 a 1000 rems:
Primeiros
Sintomas: De 15min-30min a 1-2 dias após exposição. Vômito intenso. Tontura.
Diarréia.
Fase Final: De
5-10 dias até 1-4 semanas após exposição. Morte ocorre devido a intensos
sangramentos internos e infecções incontroláveis. A mortalidade é quase total
(~100%), e a recuperação, quando ocorre, leva décadas.
Oraganismo:
Medula óssea e outros tecidos hematopoiéticos são
completamente danificados. Tecido gratrointetinal
bastante atingido. Todos outros tecidos são atingidos.
Acima de 1000 rems:
Primeiros
Sintomas: Imediatamente. Náusea imediata (estimulação direta do centro chemo, receptivo do cérebro). Diarréia. Sangramento
intestinal. Perda de fluidos e o desbalanço
eletrolítico pode causar a morte em 4 horas.
Fase Final: Ocorre
um fenômeno conhecido como Walking Ghost.,
melhor traduzido como morto vivo. Se a pessoa sobreviver após as primeiras 6
horas, ela passa por um período de 1 a 2 dias sem sintomas intensos. Após isto
os sintomas voltam mais intensos e provocam a morte.
Oraganismo:
O metabolismo celular é drasticamente afetado.
Acima de 5000 rems:
Primeiros
Sintomas: Imediamente. Desorientação e coma. Ruptura
metabólica afeta diretamente o sistema nervoso.
O acidente de Goiânia e de Chernobil:
Vários acidentes nucleares aconteceram no século
XX, muitos deles não se tornaram públicos. Dois contudo tiveram certo destaque:
um por ser brasileiro (o acidente de Goiânia) e outro pela sua magnitude (o de Chernobil).
O acidente de Goiânia: ver página agora.
O acidente de Chernobil: ver página agora
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Considerações
preliminares
Como tudo o que é bom, a
construção de uma bomba atômica, por mais poderosa que ela seja, também
deve se iniciar pelas preliminares. Você sabe muito bem que se partir logo para
os finalmentes a sua parceira (ou parceiro, conforme
a sua preferência) pode sentir-se um pouco frustrada(o).
Por que
construir a sua própria bomba atômica?
As razões são muitas e apresentamos, apenas,
algumas delas.
Nestes tempos difíceis, de muita
violência, você deve aprender a se defender. Os menos imaginosos, os medíocres,
compram revólver, pistola, espingarda, fuzis AK45,
47, granadas e metralhadoras. Coisas de amadores, mesmo porque qualquer pessoa
pode adquiri-los com a maior facilidade no mercado negro. Nos outros mercados,
os mercados branco, cinza e "technicolor"
pode ser um pouco mais caro, mas também é possível comprá-los desde que se tenha bons agentes de intermediação. Tudo fácil de mais.
Se você tem competência para realizar algo
com a suas próprias mãos, por que não fazê-lo? Use o
seu engenho, arte e imaginação para construir um artefato poderoso e com mil e
uma utilidades.
Ao fazer a sua própria bomba atômica, você
estará contribuindo para a paz mundial, pois o seu poder de dissuasão irá
aumentar significativamente. Pelo menos isso é o que dizem os donos dos grandes
arsenais nucleares.
A bomba não é para ser usada. Ela é apenas
um enfeite, um artifício, um acessório decorativo, persuasivo
e dissuasivo de grande poder. A bomba não deve jamais ser usada, a menos
que o seu uso se torne imperativo diante de um inimigo metido a besta que,
evidentemente, ainda não tenha construído a sua, a dele, própria bomba.
Se o inimigo já tiver construído a bomba
dele, aí as coisas ficam um pouco dificultosas, porque se a bomba dele for
maior que a sua, você pode se ferrar.
Como saber quem tem a maior? É fácil. Você
se lembra do seu tempo de menino(a)? Pois é. Faz do
mesmo jeito, uai!. Mostre a sua peça e peça pra ele(a) mostrar a dele(a). Essa estratégia sempre funciona.
Depois que você tiver construído a sua
bomba, peça a inscrição no clube dos matadores atômicos onde já se encontram:
Israel, EUA, Índia, Paquistão, Reino Unido, França e Rússia.
Agora que está plena e satisfatoriamente
demonstrado que você também deve possuir a sua própria bomba atômica, mãos à
obra.
Primeiros
passos
A primeira coisa é obter a matéria prima.
Recomenda-se o urânio 235. O urânio 238 deve ser evitado, pois apesar de
possuir apenas 3 graus de diferença na escala, ele costuma dar chabu. (Já pensou, na hora H, você esperando um sonoro
KABUUUMMM! e vem apenas um fraco, e geralmente fedido, puf?)
Pegue 100 kg de urânio 235 e divida em
duas porções iguais. Coloque cada uma das porções em um cilindro de metal,
tampe e reserve.
Use um pincel, atômico, evidentemente,
para identificar cada um dos cilindros. Em um deles escreva "MASSA
SUBCRÍTICA" e no outro escreva "MASSA CRÍTICA".
A partir desse momento, evite, a qualquer
custo, a contaminação entre os dois cilindros. As partículas da massa
subcrítica somente devem encontrar as partículas da massa crítica no
momento da explosão, depois de acionado o mecanismo fusível. Tá certo, é um tabu que nem aquele do noivo que não deve
ver o vestido da noiva antes do casamento, mas tradição é tradição e deve ser
respeitada.
Em seguida....
O quê?!! Como e onde conseguir o urânio? Putz, tenho
que dizer tudo, é?
[Sinais de impaciência e irritação.
Pausa.]
Tá bem, vamos lá.
Onde
adquirir a matéria prima
Dê preferência ao urânio enriquecido, mas
antes procure saber como ele enriqueceu. Se o enriquecimento dele ocorreu nos
anos em que ele esteve em Brasília ou ocupando cargos no governo, mude de
fornecedor, pois trata-se de enriquecimento ilícito. É
urânio desonesto, muito embora goze de grande prestígio nos meios políticos e
sociais.
As melhores fontes para adquirir a matéria
prima são (pela ordem de preferência):
Ferro velho. Com um pouco de paciência, pode-se
conseguir bom material radioativo no ferro velho e os preços são muito
convidativos. Confira com cuidado e veja se o material está muito gasto ou
descorado. Verifique a textura, o sabor e a cor antes de fechar negócio.
Organizações terroristas sempre pedem muito dinheiro para liberar
porções radioativas, mas dá pra fazer boas aquisições.
Centros de pesquisa e usinas nucleares são bons
fornecedores, mas seja cauteloso porque os diretores e funcionários não gostam
muito quando desaparecem grandes quantidades de urânio de lá. Eles ficam um
pouco inquietos, sabe.
Se for usar material oriundo de centros de
pesquisa, seja exigente. Alguns centros fazem pesquisa submetendo mosquitos e
batatas à radiação, de modo que é preciso saber se o material radioativo está
contaminado com larvas. Quanto mais contaminado com larvas, mais insetos nos
resultados, quer dizer, mais incertos os resultados.
Agora que você já tem o urânio, vamos à segunda
fase.
Segundos
passos: o mecanismo de detonação
Preste muita atenção nesta parte. Um
acidente pode ser fatal. Mantenha as faíscas sob controle absoluto.
O mecanismo de detonação é constituído de
100 kg de dinamite e mais o pavio. Em vez da dinamite, pode-se usar pólvora de
bombas de São João, mas você vai precisar de 150 kg dessa pólvora.
Antes de perguntarem como obter a dinamite
ou a pólvora: compre a dinamite em lojas especializadas em dinamite e a pólvora
em lojas especializadas em pólvora. Satisfeitos?
Em seguida, coloque a dinamite ou a
pólvora em um cilindro de metal, tampe e reserve.
Prepare o dispositivo fusível, também
conhecido como pavio detonador. Alguns cientistas
chamam o pavio detonador simplesmente de fusível e os
ignorantes chamam o fusível de fuzil.
Pois bem, não use um fuzil, quer dizer, um
pavio muito curto. Se pavio curto é ruim em gente, imagine numa bomba atômica.
O maior perigo num pavio pequeno é o lapso
de tempo decorrido entre o momento de acender e a hora de a bomba explodir. Se
o tempo for muito curto, não vai dar para você se afastar e ficar a uma
distância segura do artefato. Geralmente um metro de pavio é um bom tamanho.
Como você bem sabe, todo o pavio que se
preza tem duas extremidades. Coloque uma das extremidades do pavio no
recipiente contendo a dinamite (ou a pólvora). Evite fumar charuto ou cachimbo
durante essa operação. Cigarros são permitidos, desde que o maço contenha
aquelas fotos de gente com câncer que o governo mandou botar pra ver se amedronta os fumantes.
Coloque os três cilindros – os dois de
urânio e mais o de dinamite (ou de pólvora, conforme a sua preferência) – sobre
uma superfície plana e prenda-os fortemente com fita durex.
(Fique de olho na marca. Se não for durex, esqueça.)
Pronto: sua bomba está pronta para ser
usada. Clique aqui para apreciar o Diagrama 01. À primeira
vista, ele pode parecer meio esquisito, mas com o tempo você se acostuma.)
Onde guardar
a sua bomba atômica
Guarde-a em casa num lugar accessível,
porque, quando dela necessitar, você vai encontrá-la logo ali bem pertinho e à
sua disposição. Vez por outra, faça uma inspeção pra ver se os cilindros estão
vazando. Preste atenção, porque um nêutron descuidado aqui,
um elétron displicente ali e todo seu trabalho vai por água abaixo.
Em alguns países, os donos de bombas
nucleares fazem buracos no chão e lá enterram as suas bombas, talqualmente os gatos depois de fazerem necessidades
fisiológicas. É uma boa alternativa.
Normas de
segurança
Muito embora o processo de fabricação seja
absolutamente seguro e isento de maiores riscos, alguns cuidados devem ser
tomados.
a) Lave sempre as mãos com água e sabão
após manusear o urânio. Use a sua escova de dentes
para remover o pó que insiste em se abrigar sob as unhas. Se quiser
usar luvas de segurança, compre dessas de supermercados. São mais baratas.
b) Enquanto você coloca o urânio nos dois cilindros,
pode acontecer de subir uma poeira radioativa resultante da desagregação do
material. Ao ser aspirada em grandes quantidades e metabolizada,
essa poeirinha pode, eventualmente, impedir o
organismo de produzir as células vermelhas do sangue.
Se você não sabe, as células vermelhas
servem para dar a cor de sangue ao sangue e a ausência delas faz com que ele
adquira cores variadas e imprevisíveis. Mesmo considerando que as conseqüências
sejam meramente estéticas, fica esquisito se você sair por aí, pegar uma bala
perdida, sofrer um assalto e chegar no pronto socorro sangrando um sangue
rosa-choque ou azul-da-prússia. Pega mal, pacas. O
que vão pensar de você?
c) Para evitar a inalação da poeira
radioativa a melhor forma de prevenir é prender a respiração durante o manuseio
do urânio. Pode ser que, no começo, você fique meio arroxeado devido à falta de
oxigênio nos pulmões, mas, com o tempo, você se acostuma.
d) Para evitar que grânulos de urânio se
instalem no seu estômago, jamais manuseie urânio enquanto estiver de estômago
vazio.
e) Se, após uma jornada de trabalho com o
urânio, você se sentir um pouco sereno, tonto ou sonolento isso pode ser
conseqüência da redução das células vermelhas do sangue. Para ter certeza, vá
até um laboratório e mande fazer a contagem delas. Exija a contagem em todo o
sangue e não apenas em uma amostra. É mais preciso. Se for constatada a
redução, tome dois copos desses refrescos tipo framboesa, groselha ou morango
às refeições durante dois ou três dias.
f) Evite ficar muito perto da bomba no
momento da detonação. A temperatura pode chegar a 100 milhões de graus
centígrados e isso pode provocar queimaduras. Se for absolutamente
indispensável acompanhar o processo de detonação, use protetor solar.
Considerações
finais
Avise os vizinhos e malfeitores que você
está bem armado. De que adianta todo esse trabalho e investimento em alta
tecnologia se ninguém souber que você tem a força?
Os vizinhos vão respeitar e temer: nada de
roubar o limpador de pára-brisa do seu carro, nada de pedir duas cebolas
emprestadas e não pagar. Prioridade no elevador e na entrega das
correspondências, abatimento nas taxas de condomínio, prioridade nas ruas mesmo
com o sinal vermelho são efeitos colaterais muito bem-vindos.
Tem mais: se o síndico ou o prefeito
quiser mandar fazer uma inspeção pra saber se você guarda armas químicas em
casa, destitua o síndico ou o prefeito. Nunca é demais lembrar que você tem a
bomba e se você tem a bomba, tem a força!
Possuir a sua própria bomba só traz
vantagem. Desvantagens? Nenhuma. Quem sabe até você ganha isenção no imposto de
renda?
Mutações
genéticas são bem vindas
Pessoas desinformadas insistem em dizer
que armas nucleares não devem ser usadas porque elas podem produzir mutações
genéticas. Isso é verdade. Pode ocorrer uma ou outra mutação genética, mas é
necessário ver o lado positivo desses efeitos secundários e evitar paranóia de ongueiro.
O grande cientista inglês Charles Darwin
(1809 - 1882) demonstrou cabalmente que as mutações genéticas são bem vindas e
foi graças a elas que o homem se moldou à forma atual. O que há a temer?
Humanos com duas cabeças? Todos estamos cansados de ouvir falar que duas
cabeças pensam melhor que uma. Por que não dar essa chance à evolução?
Para exemplificar os perigos da fissão
nuclear, menciona-se o desastre de Chernobil, mas sabe quais as pessoas que correram mais depressa e
conseguiram se safar do desastre? As de três pernas!
Há quem trate o assunto como uma piada de
humor negro, mas o assunto é muito sério. A aquisição de três pernas é ou não
uma mutação favorável à sobrevivência da espécie humana nesses novos tempos em
que o homem, e a mulher, é claro devem aprender a
viver em ambientes de elevada radioatividade?
Existem mais aspectos positivos. Nos
esportes, por exemplo, dá pra imaginar as próximas olimpíadas e os novos
recordes sendo batidos: 100 metros rasos em 5 segundos, depois em 4 segundos,
na seguinte em 2 segundos...
A vida vai
desaparecer da face da Terra?
Os pessimistas de plantão, os derrotistas
de primeira hora, chegam dizer que a vida pode desaparecer da face da Terra em
conseqüência de explosões nucleares provocadas pelo homem.
Isso é uma mentira deslavada.
Recentemente, cientistas descobriram
indícios da ocorrência de formas primitivas de vida, de vermes, há 1,2 bilhão
de anos. Portanto, mesmo que a espécie humana venha a sucumbir, outras espécies
de vida melhor adaptadas ao novo meio deverão surgir. Em mais um ou dois
bilhões de anos novas criaturas, certamente bem mais inteligentes que nós,
estarão aptas a construir bombas muito mais poderosas que as de hoje. E o que
são dois bilhões de anos diante da eternidade?
A radiação é
prejudicial à saúde?
Uns medrosos falam que a radiação faz mal
à saúde. São uns frouxos.
A verdade é que tudo além da medida pode
ser prejudicial à saúde. A água, por exemplo, é essencial à vida, mas beba água
de mais pra você ver o que acontece. Se água de mais
fosse boa pra saúde ninguém morria afogado, concorda?
Conclusão
Não perca tempo!
Inicie hoje mesmo a construção da sua
bomba atômica e seja feliz com os seus descendentes de três pernas e duas
cabeças. Talvez eles não sejam exatamente uma gracinha conforme padrões já
superados, mas estarão bem mais aptos a sobrevirem na nova era nuclear.
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FIM